domingo, 3 de novembro de 2013

da boca da noite




Nada
cabe
no silêncio transpassado
da boca da noite

Invisíveis
sinais

não expressam
o instante

Teia da aranha
a limitar o vazio

Imitação do silêncio
e ainda
não o traduz


Novembro, 26 de 2011
Fotografia, Sidarta


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Olhar de vento




Mal amanhece

E o vento
já balança
os galhos
da goiabeira

Caem num arremesso
misturadas flores folhas
frutos da laranjeira
forram o chão do quintal

Embaraça
em nova trama
franja da manta

esquecida

no varal


Dezembro, 13 de 2012
Fotografia, Sidarta

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Sensorial






Imensas tuas mãos Ousadas
tateiam
cada centímetro

suavidade desmedida
desabotoam pausadamente
até o último botão da blusa

A boca tão aproximada
não se vislumbra
na penumbra
turva a visão Sutil
menta da tua língua
afoita
a vasculhar
céu da minha boca
invade
universo inteiro Calor
e frio
Arrepio

Entrecortado metal
da tua voz
de ensandecidos sons
grunhidos indecifráveis
nos meus ouvidos

Nem faço esforço
para entender


Julho, 17 de 2013
Fotografia, Marlene

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Nenhum vento a soprar nuvens ( Reeditado )






Procuro ínfimos símbolos,
qualquer prenúncio
no tempo,
também o universo conspira,

nenhum vento sopra
nuvens,
nem folha cai.
Busco

em epigramas escusos
ou em qualquer epígrafe
algum indício
nos poemas teus.

Olho
o fundo da xícara,
marca deixada

do café -
obscuro sinal
a dizer-me o que não sei

traduzir.


Fevereiro, 23 de 2012
Fotografia, Sidarta

sábado, 7 de setembro de 2013

Janela



Recorte do visível:
muro verde
imenso
pano de fundo
pronunciada presença
aranha alpinista
desce
invisível fio

Rabiscos de caracóis –
ilegíveis hieróglifos
grafados na umidade da manhã

Ar parado
num céu silencioso

Não fosse
esse resquício de azul
que escavei
e em outro céu
guardei

seria ainda cinza
esta manhã


Setembro, 07 de 2013

Fotografia, Sidarta