quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Sensorial






Imensas tuas mãos Ousadas
tateiam
cada centímetro

suavidade desmedida
desabotoam pausadamente
até o último botão da blusa

A boca tão aproximada
não se vislumbra
na penumbra
turva a visão Sutil
menta da tua língua
afoita
a vasculhar
céu da minha boca
invade
universo inteiro Calor
e frio
Arrepio

Entrecortado metal
da tua voz
de ensandecidos sons
grunhidos indecifráveis
nos meus ouvidos

Nem faço esforço
para entender


Julho, 17 de 2013
Fotografia, Marlene

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Nenhum vento a soprar nuvens ( Reeditado )






Procuro ínfimos símbolos,
qualquer prenúncio
no tempo,
também o universo conspira,

nenhum vento sopra
nuvens,
nem folha cai.
Busco

em epigramas escusos
ou em qualquer epígrafe
algum indício
nos poemas teus.

Olho
o fundo da xícara,
marca deixada

do café -
obscuro sinal
a dizer-me o que não sei

traduzir.


Fevereiro, 23 de 2012
Fotografia, Sidarta

sábado, 7 de setembro de 2013

Janela



Recorte do visível:
muro verde
imenso
pano de fundo
pronunciada presença
aranha alpinista
desce
invisível fio

Rabiscos de caracóis –
ilegíveis hieróglifos
grafados na umidade da manhã

Ar parado
num céu silencioso

Não fosse
esse resquício de azul
que escavei
e em outro céu
guardei

seria ainda cinza
esta manhã


Setembro, 07 de 2013

Fotografia, Sidarta

sábado, 24 de agosto de 2013

Do sábado






Dia que se repete
acaba
Fiquei na fila do silêncio
tantas pequenas coisas que não fiz
Ainda inverno aqui
faz muito frio
fome do dia que não aconteceu

fico a querer culpar a chuva
fina que nem ruído fez
Nem vi o céu
de tanto cinza
foi o entardecer

Fechei venezianas acendi luzes
cresceu a luz na sala
Reverso
cinzenta noite repetida ruma

e essa voz quase inaudível abismo
fala comigo
escuto som das pedras no quintal
nenhuma voz escapa
e me encontro
nessa não palavra


Fotografia, Sidarta 
Agosto, 24 de 2013

domingo, 26 de maio de 2013

Da previsão do tempo





Ínfima distância
no entanto
tanto tempo faz
O que falar

Passado
Presente 

Passado
todo esse silêncio
resta falar do instante
do tempo que faz agora

do lamento
no som do vento
do céu aquarelado dos finais de tarde
nuvens de chumbo
do que choveu
e ainda chove quase toda noite
noite adentro
tentar prever o tempo
da janela
aqui dentro
silenciado

Tanto tempo
tempo escasso
para querer saber tanto
a pressa
apressa
tempo
não haverá
para escolher palavras
falar de laços

Resta calar
aprofundar o olhar
medir a felicidade
no anelado abraço

Fevereiro, 10 de 2013
Fotografia, Sidarta