sábado, 24 de agosto de 2013

Do sábado






Dia que se repete
acaba
Fiquei na fila do silêncio
tantas pequenas coisas que não fiz
Ainda inverno aqui
faz muito frio
fome do dia que não aconteceu

fico a querer culpar a chuva
fina que nem ruído fez
Nem vi o céu
de tanto cinza
foi o entardecer

Fechei venezianas acendi luzes
cresceu a luz na sala
Reverso
cinzenta noite repetida ruma

e essa voz quase inaudível abismo
fala comigo
escuto som das pedras no quintal
nenhuma voz escapa
e me encontro
nessa não palavra


Fotografia, Sidarta 
Agosto, 24 de 2013

3 comentários:

  1. O inventário de nossos silêncios, por vêzes, nos parece inevitável. E encontrar-se em uma não-palavra, quem sabe, o nobilite.

    Tua percepção é mesmo uma dádiva, Marlene. Meu abraço com carinho,

    André

    ResponderExcluir
  2. Muito lindo teu poema, Marlene!

    Beijo.

    ResponderExcluir
  3. Muito bom. E sábado sempre foi meu dia eleito.

    ResponderExcluir