domingo, 30 de setembro de 2012

Do vento





Em silêncio
despeço-me
de cada instante errante
mutante
nenhum horizonte
vislumbro nesse tanto mar

Ilha
anônima transito
trôpega
e no frescor do dia
ninguém desconfia
varre
o vento
onda

na areia
apaga rastros
nenhum vestígio fica
Estranho silêncio
mantém
internamente

quase
tudo no lugar

Suave engano


Fotografia, Sidarta
Setembro, 25 de 2012

sábado, 25 de agosto de 2012




Quando canso do silêncio da casa,

faço versos pra te encontrar.

Escondo solidão em palavras soltas,

solto-as no ar!



Imagem, aquarela de Marlene Edir
Publicado no meu livro "Além do Quintal, poemas e aquarelas", abril de 2011

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Da madrugada insone





Velhos anseios
à tona

incertezas tantas
cegueira
de quarto escuro

tateia
insone na madrugada
esbarra em móveis

e objetos fora de lugar
enrodilham-se
nas correntes

que arrasta
por toda a casa


Aquarela, Marlene Edir Severino
Julho, 07 de 2012


domingo, 3 de junho de 2012

Que rosto terá este dia?





Olhar o foco
da vida
da janela

Jazz

Impreciso instante
folha amarelecida
ao vento
plana

Chuva fina
no movimento da folha
cai

Invisível desapego
silêncio
partilhado na manhã

Breve noite
Dia imenso.


Fotografia de marlene edir severino
Junho, 3 de 2012


sábado, 19 de maio de 2012

Do instante da rosa






Então

esta manhã acabou
feito pétala da rosa
(vi da janela) no instante
que despetalou

A rosa deixou de ser
mas isso nem é triste
é outro
instante


Fotografia, Marlene Edir Severino, do quintal
Maio, 19 de 2012