quarta-feira, 11 de julho de 2012

Da madrugada insone





Velhos anseios
à tona

incertezas tantas
cegueira
de quarto escuro

tateia
insone na madrugada
esbarra em móveis

e objetos fora de lugar
enrodilham-se
nas correntes

que arrasta
por toda a casa


Aquarela, Marlene Edir Severino
Julho, 07 de 2012


domingo, 3 de junho de 2012

Que rosto terá este dia?





Olhar o foco
da vida
da janela

Jazz

Impreciso instante
folha amarelecida
ao vento
plana

Chuva fina
no movimento da folha
cai

Invisível desapego
silêncio
partilhado na manhã

Breve noite
Dia imenso.


Fotografia de marlene edir severino
Junho, 3 de 2012


sábado, 19 de maio de 2012

Do instante da rosa






Então

esta manhã acabou
feito pétala da rosa
(vi da janela) no instante
que despetalou

A rosa deixou de ser
mas isso nem é triste
é outro
instante


Fotografia, Marlene Edir Severino, do quintal
Maio, 19 de 2012


sábado, 28 de abril de 2012

Iluminado o Olhar





                                                              Há palavras que surgem oscilando sonâmbulas
                                                              há outras que entremostram a nudez no linho do seu pudor
                                                              há algumas que são apenas formas de água ou desenhos do vento
                                                                                                                                        António Ramos Rosa








Guardado
relâmpago que iluminou tantas vezes o olhar
metálico timbre do tom da voz
até o riso se ouve

ruído ressonante da rotina na rua
entra no quarto e vê-se ainda
desatados corpos isentos de pudor
Do lado de fora nenhum olhar

via
e nem cabia imaginar
a tanta entrega, o abandono
naquelas tardes fugidias

Meras imagens
agora hesitantes feito plumas no ar
cintilam

ainda


Fotografia de MarlenEdir
Abril, 26 de 2012



                                                                 





quarta-feira, 4 de abril de 2012

Mastigar Silêncios



Se é ausência
não sei

mas conheço bem
o vazio
da hora
no instante parado
cerimonioso
em que o dia termina

Nenhum som
sai da boca
nem palavra alguma
no preto da tinta
sobre o papel

nem promessa

habita
esse silêncio


Depois da cinza
remexida
sem viço a terra
fica

nenhum poema
brotou

(Imagem: fotografia de Marlene Edir Severino)
Abril, 04 de 2012