quarta-feira, 4 de abril de 2012

Mastigar Silêncios



Se é ausência
não sei

mas conheço bem
o vazio
da hora
no instante parado
cerimonioso
em que o dia termina

Nenhum som
sai da boca
nem palavra alguma
no preto da tinta
sobre o papel

nem promessa

habita
esse silêncio


Depois da cinza
remexida
sem viço a terra
fica

nenhum poema
brotou

(Imagem: fotografia de Marlene Edir Severino)
Abril, 04 de 2012



7 comentários:

  1. Também conheço esses vazios, mas do seu vazio brotou um poema repleto de sentido! Bjs e uma linda Páscoa!

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  2. Linda poesia, que fala de terreno tão árido... Parabéns e um grande beijo

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  3. a terra queimada sugere a cinza no interior do olhar, mas por debaixo das imagens adiadas, o poema prepara a sua explosão em tons de primavera. assim se faz a sementeira poética.

    beijinho, marlene!

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  4. Saudações quem aqui posta e quem aqui visita.
    É uma mensagem “ctrl V + ctrl C”, mas a causa é nobre.
    Trata-se da divulgação de um serviço de prestação editorial independente e distribuição de e-books de poesia & afins. Para saber mais, visitem o sítio do projeto.

    CASTANHA MECÂNICA - http://castanhamecanica.wordpress.com/

    Que toda poesia seja livre!
    Fred Caju

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  5. Apenas a vontade
    ficou (?)

    Adorei o poema,
    deslizante e
    encantador!

    Estou a segui-la.

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  6. Tenho para mim que, no instante em que finda o dia e começa a noite, existe um momento, ainda que muito breve, em que se vislumbra um nadinha de nudez das coisas. Apenas um momento, um momento muito breve...

    Beijo :)

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  7. a silêncio assim, que custa...

    beijinho

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