sábado, 28 de abril de 2012

Iluminado o Olhar





                                                              Há palavras que surgem oscilando sonâmbulas
                                                              há outras que entremostram a nudez no linho do seu pudor
                                                              há algumas que são apenas formas de água ou desenhos do vento
                                                                                                                                        António Ramos Rosa








Guardado
relâmpago que iluminou tantas vezes o olhar
metálico timbre do tom da voz
até o riso se ouve

ruído ressonante da rotina na rua
entra no quarto e vê-se ainda
desatados corpos isentos de pudor
Do lado de fora nenhum olhar

via
e nem cabia imaginar
a tanta entrega, o abandono
naquelas tardes fugidias

Meras imagens
agora hesitantes feito plumas no ar
cintilam

ainda


Fotografia de MarlenEdir
Abril, 26 de 2012



                                                                 





quarta-feira, 4 de abril de 2012

Mastigar Silêncios



Se é ausência
não sei

mas conheço bem
o vazio
da hora
no instante parado
cerimonioso
em que o dia termina

Nenhum som
sai da boca
nem palavra alguma
no preto da tinta
sobre o papel

nem promessa

habita
esse silêncio


Depois da cinza
remexida
sem viço a terra
fica

nenhum poema
brotou

(Imagem: fotografia de Marlene Edir Severino)
Abril, 04 de 2012



domingo, 5 de fevereiro de 2012

Anônimo Sax




Manhã de sábado:
um som de sax
da casa ao lado -
abrupto,

irrompe o ar.
Abro a janela
e os cômodos todos da casa
dormem.

Esqueço o armário de louça
aberto;
estupefatos,
ruídos cessam

e a rua
nua
veste-se de acordes,
enche de graves
tons do sax

a muda manhã.



Fevereiro, 4 de 2012
(Imagem: fotografia de Marlene Edir Severino)


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Sobretons





Fascinam-me
rosados
roxos,
azuis aveludados dos tons
das hortênsias:

mistura
a aranha
na teia
tantos sobretons;

em nuance pastel
remexe-se a presa
envolta no véu.


(Imagem: fotografia de Sidarta)
Janeiro, 02 de 2012

sábado, 10 de dezembro de 2011




Tanta gente lá fora,
risos,
ruídos chegam aqui.

Meu País?
Solidão.

Feito aranha
que faz,
refaz a teia:
teço palavras,

reclusa
por opção.


((Imagem: fotografia de Marlene Edir, Parque Puquén, Chile))
Dezembro, 10 de 2011