quinta-feira, 18 de abril de 2013

Lembranças recorrentes no café da manhã






Carpinteiro de profissão
feito José,
fez-lhe uma escada
certa vez, o pai,
de madeira
e encaixe nos degraus
até demão de tinta deu
sobras que haviam numa lata
(“pro tempo não apodrecer”)
cor de cerâmica crua
- para as lides do quintal.

Mas ela usava
para subir nas nuvens.


Abril, 18 de 2013
Fotografia, Sidarta

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Da voz do mar




Diz-me o mar
na voz das ondas

diz-me
a molhar a areia

Prolongada fala

de eloquentes
profundezas


Fotografia, Sidarta
Janeiro, 05 de 2013

quinta-feira, 14 de março de 2013

Do teu silêncio





Apaguei
a tua voz
dos meus
ouvidos

insiste
a concha
em reproduzir

o som
do teu
silêncio


Março, 14 de 2013
Imagem, aquarela de Marlene Edir Severino

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Desses dias



        "Estamos a pocos pasos de una eternidad de silencio".
          (Alejandra Pizarnik - Fragmento de "Pequenos Poemas em Prosa")




Silenciosos cômodos
preenchidos
do vazio
da casa

Lá de fora
parece que se ouve
o instante do pousar
da folha
derrubada sobre a pedra

Por esses dias
somam-se
horas
manhãs
tardes

dias inteiros
a escutar silêncio

Janeiro, 4 de 2013
Fotografia, Marlene Edir Severino
                                                                                    

domingo, 2 de dezembro de 2012

Da moldura





Na ausência  
do retrato

marcada presença
do azinhavre
no metal da moldura

Indefinido
é o tempo
agora

dias de dedos sobre o teclado

se imprimindo
escrita
marca que não se apaga
e vai se somando
a outras tantas

nódoas
cicatrizes subcutâneas
incrustadas camadas

transparentes

(ausentes no retrato)


Abril, 13 de 2012
Fotografia, marlene edir severino