sábado, 24 de agosto de 2013

Do sábado






Dia que se repete
acaba
Fiquei na fila do silêncio
tantas pequenas coisas que não fiz
Ainda inverno aqui
faz muito frio
fome do dia que não aconteceu

fico a querer culpar a chuva
fina que nem ruído fez
Nem vi o céu
de tanto cinza
foi o entardecer

Fechei venezianas acendi luzes
cresceu a luz na sala
Reverso
cinzenta noite repetida ruma

e essa voz quase inaudível abismo
fala comigo
escuto som das pedras no quintal
nenhuma voz escapa
e me encontro
nessa não palavra


Fotografia, Sidarta 
Agosto, 24 de 2013

domingo, 26 de maio de 2013

Da previsão do tempo





Ínfima distância
no entanto
tanto tempo faz
O que falar

Passado
Presente 

Passado
todo esse silêncio
resta falar do instante
do tempo que faz agora

do lamento
no som do vento
do céu aquarelado dos finais de tarde
nuvens de chumbo
do que choveu
e ainda chove quase toda noite
noite adentro
tentar prever o tempo
da janela
aqui dentro
silenciado

Tanto tempo
tempo escasso
para querer saber tanto
a pressa
apressa
tempo
não haverá
para escolher palavras
falar de laços

Resta calar
aprofundar o olhar
medir a felicidade
no anelado abraço

Fevereiro, 10 de 2013
Fotografia, Sidarta

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Lembranças recorrentes no café da manhã






Carpinteiro de profissão
feito José,
fez-lhe uma escada
certa vez, o pai,
de madeira
e encaixe nos degraus
até demão de tinta deu
sobras que haviam numa lata
(“pro tempo não apodrecer”)
cor de cerâmica crua
- para as lides do quintal.

Mas ela usava
para subir nas nuvens.


Abril, 18 de 2013
Fotografia, Sidarta

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Da voz do mar




Diz-me o mar
na voz das ondas

diz-me
a molhar a areia

Prolongada fala

de eloquentes
profundezas


Fotografia, Sidarta
Janeiro, 05 de 2013

quinta-feira, 14 de março de 2013

Do teu silêncio





Apaguei
a tua voz
dos meus
ouvidos

insiste
a concha
em reproduzir

o som
do teu
silêncio


Março, 14 de 2013
Imagem, aquarela de Marlene Edir Severino