quarta-feira, 3 de abril de 2013

Da voz do mar




Diz-me o mar
na voz das ondas

diz-me
a molhar a areia

Prolongada fala

de eloquentes
profundezas


Fotografia, Sidarta
Janeiro, 05 de 2013

quinta-feira, 14 de março de 2013

Do teu silêncio





Apaguei
a tua voz
dos meus
ouvidos

insiste
a concha
em reproduzir

o som
do teu
silêncio


Março, 14 de 2013
Imagem, aquarela de Marlene Edir Severino

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Desses dias



        "Estamos a pocos pasos de una eternidad de silencio".
          (Alejandra Pizarnik - Fragmento de "Pequenos Poemas em Prosa")




Silenciosos cômodos
preenchidos
do vazio
da casa

Lá de fora
parece que se ouve
o instante do pousar
da folha
derrubada sobre a pedra

Por esses dias
somam-se
horas
manhãs
tardes

dias inteiros
a escutar silêncio

Janeiro, 4 de 2013
Fotografia, Marlene Edir Severino
                                                                                    

domingo, 2 de dezembro de 2012

Da moldura





Na ausência  
do retrato

marcada presença
do azinhavre
no metal da moldura

Indefinido
é o tempo
agora

dias de dedos sobre o teclado

se imprimindo
escrita
marca que não se apaga
e vai se somando
a outras tantas

nódoas
cicatrizes subcutâneas
incrustadas camadas

transparentes

(ausentes no retrato)


Abril, 13 de 2012
Fotografia, marlene edir severino

domingo, 28 de outubro de 2012

Água-viva





Domingo.

O dia se desprende,
vagarosamente escapa
pelas beiradas da espera,

água-viva
lenta, solta no mar
da Praia Brava.

Bocejo
do teu insonoro e desolado
falar sem palavras:
sem corpo, sem cheiro
sem pele,
nem espero.

Acho que não quero mais.

Maio, 01 de 2011


Fotografia de Marlene Edir, Praia Brava
Publicado no Céu de Abril, Maio de 2011